Abril azul: um mês para a conscientização do autismo

autista

O Transtorno do Espectro Autista (TEA) atinge 1 em cada 160 crianças. No Brasil são mais de 2 milhões de pessoas com autismo que devem ser inseridos na sociedade

O autismo impacta no desenvolvimento social e intelectual das crianças. Mas algumas pessoas só descobrem o transtorno na vida adulta. Neste texto você vai descobrir o que é o autismo, quais são seus graus de desenvolvimento e porque abril é um mês dedicado à conscientização desta condição de saúde

O autismo não é uma doença. É uma das condições do chamado Transtorno do Espectro Autista (TEA). Em 2007, a Organização das Nações Unidas (ONU) estabeleceu o dia 2 de abril para incentivar a conscientização do autismo. O objetivo é ajudar a derrubar preconceitos e sensibilizar os governantes a criar políticas públicas. O acesso ao diagnóstico e terapias de apoio pode ajudar o autista a viver em sociedade.  

Por isso, cartões-postais de todo o mundo se iluminam de azul durante abril. No Brasil, o mais famoso é o Cristo Redentor. Em 2020 o país deve se unir na campanha nacional com tema único: Respeito a todo Espectro com diversas ações.

O que é o autismo

O autismo é um distúrbio que pode se caracterizar com a dificuldade de linguagem, de aprendizagem, comportamento e interação social. A Organização Mundial de Saúde (OMS) estima que 70 milhões de pessoas sejam autistas.

Sabe-se muito pouco sobre o Transtorno do Espectro Autista (TEA). O autismo, por exemplo, foi descrito pela primeira vez só em 1943. Apenas em 1993 o TEA foi incluído naClassificação Internacional de Doenças (CID 10) da OMS.  

Até agora, não há consenso sobre as causas. Há pesquisas que relacionam a condição a uma predisposição ou alteração genética. Outras pesquisas apontam indícios de que o TEA esteja relacionado a infecções durante a gestação. Investigam-se, ainda, os efeitos da poluição e estresse durante o desenvolvimento infantil.

Níveis de autismo

Os autistas não são gênios, embora se acredite que algumas pessoas geniais tenham sido autistas.  Leonardo da Vinci, Mozart e Einstein são alguns nomes que hoje se supõe que tenham sido autistas de alta performance. Isso porque alguns autistas têm facilidade para executar tarefas que são muito difíceis para outras pessoas.  Admite-se que até 10% dos autistas tenham também a Síndrome de Savant (memória excepcional) ou Asperger (inteligência acima da média). Essas pessoas são consideradas autistas de alto funcionamento. Mas também apresentam todas as dificuldades comuns aos autistas.

As diferenças entre os autistas estão relacionadas ao nível de habilidade ou dependência de cada um. O Manual de Diagnóstica e Estatística dos Transtornos Mentais (DSM-5) classifica o autismo em três níveis de funcionamento:

·      Nível 1 (leve): pessoas com maior autonomia. Habilidade de fala e linguagem razoavelmente bem desenvolvidas. Grande rigidez e controle com relação a rotinas, seletividade alimentar. Alterações de rotina podem levar a crises.  

·      Nível 2 (moderado): maior comprometimento da fala e comunicação, com algum nível de limitação nas interações sociais.

·      Nível 3 (severo): grande dificuldade de comunicação (tanto de compreensão como de expressão), necessidade de acompanhamento constante em qualquer atividade e na própria rotina. 

O diagnóstico

O diagnóstico é clínico, resultante da observação do comportamento da criança. Estes sinais podem surgir no primeiro ano de vida. Mas, em geral são mais evidentes entre os dois e três anos.  Assim, é comum que o pediatra levante a suspeita nas consultas de rotina.  Os professores também são importantes na identificação do autismo. A convivência diária escolar permite notar se há traços fora do comportamento típico esperado.

Veja a seguir alguns comportamentos que os pais devem observar:

  • evitar o contato visual com a mãe, inclusive bebês durante a amamentação
  • choro ininterrupto
  • falta de resposta a estímulos sonoros e visuais
  • inquietação exacerbada
  • pouca vontade de falar
  • transtorno de linguagem, com repetição de palavras que a criança ouve
  • movimentos pendulares e repetitivos de mãos, cabeça e tronco
  • resistência a mudanças de rotina, como se recusar a provar novos alimentos ou aceitar um novo brinquedo

Quem trata do autista

Uma vez constatadas as características do TEA, é preciso confirmar o diagnóstico com um especialista. Crianças e adolescentes devem ser atendidas por um neurologista pediátrico (neuropediatra/neurologista infantil) e um psiquiatra infantil. Já os adultos podem se consultar com um psicólogo, que vai fazer uma avaliação inicial. O diagnóstico final, no entanto, precisa ser validado por um psiquiatra ou um neurologista.

Um médico só se torna capacitado no diagnóstico e tratamento de autismo após 9 a 11 anos de estudo. Este tempo é necessário para o profissional ter segurança na hora de identificar os sinais típicos do TEA no desenvolvimento infantil (no caso de um pediatra), os sintomas de doenças degenerativas (neurologista)ou traços de distúrbios mentais (psiquiatra).

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Tratamento individualizado

Assim como não se descobriu a causa do autismo, ainda não há cura. Da mesma forma, não existe um padrão de tratamento para todos os pacientes. O tratamento deve ser individualizado e envolver uma equipe multiprofissional com pediatra, neurologista, psiquiatra, terapeuta ocupacional, fonoaudiólogo, psicólogo, etc. Acredita-se que quanto mais cedo o autista receber este apoio, maior será sua capacidade de interação social e autonomia.

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